• Thais Bento Lima-Silva

A importância da adesão à vacinação contra Influenza para cuidados com a saúde no inverno.


Estamos vivendo um período de grandes desafios para a humanidade e para combatê-los dispomos de uma ferramenta extremamente poderosa, que precisa ser colocada em prática da forma mais eficiente possível: a vacinação.


Nos últimos meses, estamos avançando na imunização contra COVID-19 e isso significa um grande passo no enfrentamento à pandemia.


Porém, à medida que nos aproximamos do inverno não podemos nos esquecer da Influenza (gripe) e de seu combate por meio da imunização anual.


Mas por que a vacinação é tão importante?


A vacinação ocupa um lugar de destaque dentre os fatores que contribuíram para o aumento da expectativa de vida ao longo do século passado. É responsável pela prevenção de doenças infecciosas que há algumas décadas representavam uma das grandes causas de morte ao redor do planeta.


A introdução da vacinação como uma estratégia de prevenção de doenças desde o nascimento promove um enorme benefício na saúde tanto individual como coletiva, ao longo de todo o ciclo de vida, uma vez que proporciona a redução de casos de infecções bem como da circulação de agentes infecciosos entre a população.


Além de todo esse ganho à saúde da humanidade, as vacinas representam ainda uma economia financeira significativa aos sistemas de saúde mundiais, pois são consideradas o tratamento com melhor custo-benefício em saúde pública.


Algumas pessoas acreditam que a vacina contra Influenza deixa as pessoas gripadas. Isso é verdade?


Não, é um mito. A vacina contra Influenza não pode causar a doença, pois é inativada, ou seja, contém vírus mortos, fracionados ou em subunidades. Uma das razões para o indivíduo ficar gripado depois de tomar a vacina é que talvez tenha sido infectado pelo vírus antes que a vacina produzisse o efeito esperado. Outra possibilidade é a de que a pessoa pode ter pego outras doenças respiratórias.


Vale a pena lembrar que a vacina da gripe não previne contra resfriados, que são causados por um vírus diferente do da gripe. É bem comum confundir um resfriado com uma gripe porque os sintomas são bem parecidos como, por exemplo, tosse, dor de garganta, febre, dores no corpo, etc.


Caso você esteja com gripe, é recomendado que melhore antes de receber a vacina, para, se tiver complicações dos sintomas, evitar que isso seja atribuído à vacina.


A vacina contra Influenza pode provocar efeitos colaterais como mal-estar, dor muscular ou febre, mas apenas quando o indivíduo ainda não tiver tido nenhum contato com os antígenos presentes nesta vacina, ou seja, as substâncias que promovem a formação de anticorpos específicos.


As vacinas contra Influenza e contra COVID-19 podem ser tomadas ao mesmo tempo?


Deve ser respeitado o intervalo de 14 dias entre a aplicação das vacinas contra Influenza e contra COVID-19, independentemente de qual delas seja tomada primeiro. A prioridade deve ser dada a da COVID-19, diante da gravidade desta doença.


A preocupação referente ao intervalo é decorrente de possíveis prejuízos aos efeitos esperados das vacinas, uma vez que são produzidos anticorpos específicos para o combate de cada doença. Segundo os especialistas, o período de duas semanas é o tempo necessário para a construção de uma barreira imunológica no organismo para combater um determinado vírus.


Com a vacinação de pessoas idosas contra COVID-19 em andamento e para que fosse respeitado o intervalo necessário, este grupo prioritário foi agendado apenas para a segunda etapa da Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza deste ano, entre os dias 11/maio e 08/junho.


Posso tomar a vacina contra Influenza no período entre as duas doses da vacina contra COVID-19?


A vacina contra Influenza pode apenas ser tomada no período entre as duas doses da vacina contra COVID-19 se houver tempo suficiente para que seja respeitado o intervalo de aplicação das vacinas diferentes.


Ou seja, no caso da CoronaVac, cujo intervalo entre a primeira e a segunda dose deve ser de 3 semanas, não há tempo hábil para a aplicação da vacina contra Influenza entre as doses.


Por outro lado, para quem tomar a da Oxford/AstraZeneca, que exige um intervalo de 3 meses entre a primeira e a segunda dose para maior eficácia, a vacina contra Influenza pode ser tomada entre as doses desde que seja respeitado o intervalo mínimo de 14 dias após a primeira dose e também pelo menos 14 dias antes da segunda.


Por que os idosos integram os grupos prioritários na vacinação contra Influenza?


Para nos defender de infecções, como a Influenza, nosso organismo conta com a ação do sistema imunológico, por meio da produção de anticorpos que combatem microorganismos invasores.


Porém, o processo de envelhecimento ocasiona a chamada imunossenescência, isto é, um estado de função imunológica desregulada, que torna o organismo das pessoas idosas mais vulnerável a algumas doenças, como o câncer e infecções.


Além disso, outros fatores que também podem comprometer o funcionamento do sistema imunológico são as chamadas Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), como a Hipertensão Arterial Sistêmica e a Diabetes Mellitus, que infelizmente são comuns na velhice.


No momento presente, um problema adicional é a crise que estamos enfrentando no sistema de saúde decorrente da pandemia de COVID-19. Na busca de evitar a saturação dos serviços de saúde ao redor do país, a vacinação contra Influenza de grupos prioritários, como as pessoas idosas, se faz ainda mais essencial.


Quais cuidados devem ser tomados neste período do ano, para se prevenir contra resfriado e/ou gripe, bem como na ocorrência de sintomas?


A chegada do inverno requer cuidados especiais para combatermos doenças que atacam o sistema respiratório. Isso se deve principalmente pelo fato de que o ar seco característico desta estação é mais um inimigo do nosso sistema imunológico. A baixa umidade do ar prejudica a produção de secreções, ricas em anticorpos, uma vez que provoca o ressecamento das mucosas do aparelho respiratório.


Desse modo, para se prevenir contra resfriado e/ou gripe, bem como na ocorrência de sintomas, algumas dicas são essenciais:


● manter uma alimentação saudável;

● evitar o cigarro e os ambientes que têm muita fumaça ou poeira;

● evitar contato com indivíduos que estejam gripados ou resfriados;

● manter os ambientes ventilados;

● beber bastante líquido para se manter hidratado;

● manter uma respiração pelo nariz e não pela boca;

● lavar os tecidos que usamos, como lençóis, edredons e roupas e deixá-los expostos ao sol com frequência.



Referências

http://www.blog.saude.gov.br/index.php/promocao-da-saude/52637-gripe-tire-suas-duvidas-sobre-a-vacina, acesso em 04/05/2021.

https://revistasfacesa.senaaires.com.br/index.php/iniciacao-cientifica/article/view/153/108

https://sbim.org.br/noticias/861-vacinacao-e-longevidade, acesso em 04/05/2021.

https://www.bio.fiocruz.br/index.php/br/noticias/1263-vacinas-as-origens-a-importancia-e-os-novos-debates-sobre-seu-uso?showall=1&limitstart=, acesso em 04/05/2021.


Autores:


Graciela Akina Ishibashi- graduanda em Gerontologia pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP). Estagiária do projeto de validação do Método SUPERA. Estudante de iniciação científica na área de treino cognitivo.

Mauricio Einstoss de Castro Barbosa – Graduado em Gerontologia pela Universidade de São Paulo (USP), com participação no Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde/Interprofissionalidade), teve atuação como estagiário de Gerontologia na Coordenação de Políticas Para a Pessoa Idosa – Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania – Prefeitura de São Paulo.

Profa. Dra. Thais Bento Lima-Silva, Docente do curso de Graduação em Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), Coordenadora do curso de pós-graduação em Gerontologia da Faculdade Paulista de Serviço Social (FAPSS), pesquisadora do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e diretora científica da Associação Brasileira de Gerontologia (ABG). Membro da diretoria da Associação Brasileira de Alzheimer- Regional São Paulo. E assessora científica e consultora do Método SUPERA.