"Gritei com minha mãe..."

Atualizado: Ago 18

O estresse de quem cuida se agrava na pandemia. O que fazer?



Julia P. R. cuida da mãe com Alzheimer há quatro anos. Ela morava só desde que se separou há dez anos. Sem filhos. A mãe dela sempre foi independente, mulher forte e determinada. Morava num apartamento pequeno que, segundo ela, era fácil de manter limpo e arrumado. Inclusive era só fechar e viajar tranquila com as amigas.


Os esquecimentos, porém, foram se tornando tão frequentes e começaram a impor risco. Saía para ir à farmácia e deixava o fogão ligado. Duas vezes queimou a panela a tal ponto que foi direto pro lixo.


Foram-se alguns anos até o diagnóstico de Doença de Alzheimer. E mais alguns para aceitá-lo. Até que mãe e filha tiveram que morar na mesma casa. Julia virou cuidadora.


Rotina da cuidadora.


Julia é professora. De faculdade. Dá aula o dia todo, hoje em dia, online. E não pode desacelerar, senão – diz – não consegue pagar as contas. Sua condição financeira inviabiliza a contratação de um cuidador profissional.


Na pandemia, mais crise.


Com a Covid-19 as dificuldades aumentaram. “Nem o irmão de minha mãe consegue me ajudar, pois ele sofre de asma e já tem 82 anos. Tem de ficar quieto, isolado na casa dele pra não pegar essa doença horrível’, conta. Assim, Julia tem se virado sozinha. E a mãe, em fase moderada da doença, anda – segundo ela – mais agressiva que o normal. E todo fim de tarde começa a andar pela casa e tenta abrir a porta. Quer ir embora. “Minha mãe insiste, briga que quer voltar pra casa dos pais dela (faz parte dos sintomas da doença)! E eles já morreram há anos! Meu Deus, não é fácil”, desabafa.


Quando vai ao supermercado fazer as compras necessárias tranca a mãe em casa. “Ela grita pela janela (que tem grades) e os vizinhos reclamam muito. No início até chamaram a polícia. Achavam que eu maltratava minha mãe. Hoje todos no prédio sabem que ela tem Alzheimer.”


Julia disse que gritou com a mãe nesta semana. E sente que está por um triz para perder a cabeça e a paciência. Sentiu-se envergonhada e triste. Resolveu pedir ajuda.


DICA:

O cuidador precisa também se cuidar!


Muitas pessoas, certamente, se identificam com a condição de Julia e da mãe dela.


É essencial que quem cuida saiba que precisa de um tempo pra si próprio. Se não tem alguém na família para dividir a tarefa, peça ajuda para um amigo, um vizinho que possa te render mesmo que apenas um período pequeno por semana.



Há quem procure ajuda também com voluntários, associações de pacientes, instituições de caridade ou organizações religiosas.


O importante especialmente nesse momento de pandemia é buscar manter o equilíbrio e o pensamento positivo.


E não se culpar por ter escapado um grito como foi com Julia. Mas perceber isso como um alerta, compreender que o cuidador também fica estressado e se fragiliza, e saber buscar ajuda.



* Reconheça os seus próprios limites

* Fique atento aos sinais de alerta

* Tenha consciência dos sintomas da doença

* Procure fazer algo que te relaxe e lhe dê prazer

* Busque ajuda e aconselhamento.



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