Prevenção
Durante muito tempo, acreditou-se que o Alzheimer era inevitável com o envelhecimento.
Hoje sabemos que isso não é verdade.
As evidências científicas mais recentes mostram que uma parcela significativa dos casos de demência pode estar associada a fatores modificáveis ao longo da vida.
A atualização de 2024 da Lancet Commission estimou que até 45% dos casos de demência no mundo podem estar relacionados a fatores de risco potencialmente modificáveis.
Isso não significa que seja possível “garantir” que alguém não desenvolverá Alzheimer.
Mas significa que é possível reduzir risco, retardar início e proteger o cérebro ao longo da vida.
O que aumenta o risco?
Hoje são reconhecidos diversos fatores associados ao maior risco de demência, entre eles:
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Baixa escolaridade
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Perda auditiva não tratada
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Hipertensão
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Diabetes
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Obesidade
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Sedentarismo
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Depressão
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Tabagismo
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Consumo excessivo de álcool
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Isolamento social
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Traumatismo craniano
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Poluição do ar
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Colesterol elevado
A prevenção começa muito antes da velhice.
Ela é construída ao longo de toda a vida.
O que protege o cérebro?
Atividade física regular
A recomendação internacional é:
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150 a 300 minutos por semana de atividade aeróbica moderada, para pessoas sem fragilidade.
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Associar exercícios de força e equilíbrio.
A atividade física:
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Melhora circulação cerebral
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Reduz inflamação
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Controla pressão, glicemia e colesterol
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Estimula neuroplasticidade
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Reduz risco de quedas
Exercício é hoje considerado uma das intervenções com melhor evidência para saúde cerebral.
Alimentação saudável
O padrão alimentar com mais evidência é o estilo Mediterrâneo ou MIND, que inclui:
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Verduras e legumes
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Frutas
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Grãos integrais
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Peixes
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Azeite de oliva
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Castanhas
Redução de ultraprocessados, excesso de açúcar e gorduras saturadas.
Esse padrão alimentar está associado a melhor desempenho cognitivo e menor risco de declínio.
Estimulação cognitiva e aprendizado contínuo
Manter o cérebro ativo é fundamental.
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Leitura
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Jogos
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Aprender algo novo
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Atividades artísticas
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Resolver problemas
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Participar de grupos
A chamada “reserva cognitiva” pode retardar o aparecimento dos sintomas.
Educação ao longo da vida é fator protetor.
Cuidar da audição e da visão
A perda auditiva não tratada é hoje um dos principais fatores modificáveis associados à demência.
O uso de aparelho auditivo, quando indicado, reduz isolamento social e sobrecarga cognitiva.
Controle das doenças crônicas
Hipertensão, diabetes, colesterol elevado e obesidade aumentam risco de demência vascular e Alzheimer.
Manter essas condições controladas é estratégia direta de proteção cerebral.
O cérebro depende da saúde do coração.
Sono e saúde mental
Sono inadequado, depressão não tratada e estresse crônico também impactam o risco.
Cuidar da saúde emocional é parte da prevenção.
Evitar tabagismo e consumo excessivo de álcool
Fumar aumenta risco de declínio cognitivo.
O consumo excessivo de álcool também está associado a maior risco de demência.
Moderação é fundamental.
O que mostram os dados brasileiros?
O ReNaDe – Relatório Nacional sobre Demências, coordenado no Brasil, reforça que:
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O país ainda diagnostica tardiamente.
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Fatores cardiovasculares são altamente prevalentes na população.
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Desigualdades sociais influenciam risco e acesso ao cuidado.
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Baixa escolaridade histórica em parte da população idosa impacta reserva cognitiva.
Isso significa que políticas públicas de educação, controle de doenças crônicas e acesso à saúde são também políticas de prevenção de demência.
Prevenção não é apenas individual — é coletiva.
Um ponto importante
Prevenção não significa culpa.
Nem toda pessoa com fatores de risco desenvolverá Alzheimer.
E pessoas com estilo de vida saudável também podem desenvolver.
Mas as evidências mostram que agir sobre fatores modificáveis pode reduzir risco populacional e retardar início dos sintomas.
Prevenir é investir no cérebro ao longo da vida.
Referências
– The Lancet Commission. Dementia prevention, intervention and care: 2024 update.
– World Health Organization. Risk reduction of cognitive decline and dementia: WHO guidelines.
– Alzheimer's Association. 2024 Alzheimer’s Disease Facts and Figures.
– ReNaDe – Relatório Nacional sobre Demências (Brasil, edição mais recente).
