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Tratamento

Receber o diagnóstico de Alzheimer assusta.
Mas uma informação é essencial: há tratamento.

Ainda não existe cura, mas existem abordagens que podem retardar sintomas, preservar autonomia por mais tempo e melhorar a qualidade de vida da pessoa e da família.

 

O tratamento do Alzheimer hoje é dividido em três grandes pilares: medicamentoso, não medicamentoso e organização do cuidado.

 1. Tratamento com medicamentos

Atualmente, o tratamento padrão inclui medicamentos que ajudam a regular substâncias químicas do cérebro envolvidas na memória e na cognição.

No Brasil, segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde, estão disponíveis pelo SUS:

  • Donepezila

  • Rivastigmina

  • Galantamina

  • Memantina

Esses medicamentos não curam a doença, mas podem:

  • Retardar a progressão dos sintomas

  • Melhorar atenção e memória em alguns casos

  • Reduzir alterações comportamentais

  • Ajudar na funcionalidade por mais tempo

A resposta varia de pessoa para pessoa.

Novos medicamentos modificadores da doença

Nos últimos anos, surgiram medicamentos que atuam diretamente sobre proteínas associadas ao Alzheimer, como a beta-amiloide.

Alguns anticorpos monoclonais já foram aprovados nos Estados Unidos para casos iniciais da doença, como:

  • Lecanemab

  • Donanemab

Eles demonstraram redução da progressão clínica em fases iniciais, mas:

  • São indicados apenas para estágios leves

  • Exigem confirmação por biomarcadores

  • Têm alto custo

  • Ainda não estão incorporados ao SUS

  • Exigem monitoramento por risco de efeitos adversos (como edema cerebral)

No Brasil, o acesso ainda é restrito e depende de aprovação regulatória e avaliação da Conitec.

2. Tratamento não medicamentoso (fundamental)

Aqui está algo que muitas famílias não sabem:
O tratamento não medicamentoso é tão importante quanto o remédio.

Inclui:

  • Estimulação cognitiva

  • Atividade física regular

  • Organização de rotina

  • Terapia ocupacional

  • Fonoaudiologia

  • Controle de sono

  • Tratamento de depressão e ansiedade

  • Socialização

Estudos mostram que manter o cérebro ativo e o corpo em movimento pode retardar perdas funcionais.

Além disso, cuidar da audição, visão e saúde cardiovascular também faz parte do tratamento.

3. Tratamento dos sintomas comportamentais

Alterações como agitação, apatia, insônia e irritabilidade são comuns.

O primeiro passo é sempre identificar a causa:

  • Dor?

  • Infecção?

  • Ambiente confuso?

  • Mudança na rotina?

Medicamentos psiquiátricos podem ser usados em situações específicas, mas com cautela, especialmente em idosos.

4. Cuidar da família também é tratamento

O Alzheimer não afeta apenas uma pessoa.
Afeta todo o sistema familiar.

Apoio psicológico, grupos de suporte e orientação adequada reduzem sobrecarga e risco de adoecimento do cuidador.

Cuidar de quem cuida é parte essencial do plano terapêutico.

O que é importante entender hoje

  • O tratamento é individualizado.

  • Quanto mais precoce o diagnóstico, maior a chance de intervenção eficaz.

  • Não existe “tratamento milagroso”.

  • Promessas rápidas na internet devem ser vistas com cautela.

O cuidado é contínuo, ético e centrado na pessoa.

O objetivo não é apenas prolongar a vida —N é preservar dignidade, autonomia e qualidade de vida.

Referências

– Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença de Alzheimer (atualização mais recente).
– Alzheimer's Association. 2024 Alzheimer’s Disease Facts and Figures.
– Alzheimer's Disease International. World Alzheimer Report 2023.
– The Lancet Commission. Dementia prevention, intervention and care: 2024 update.

"As informações e sugestões contidas neste site tem caráter meramente informativo. Elas não substituem consulta, aconselhamento e acompanhamento de médicos, psicólogos, nutricionistas, gerontólogos e outros profissionais especialistas.”

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