Nem toda verdade precisa virar uma correção

“Minha mãe morreu. Preciso ir buscá-la.”
“Quero ir para casa.”Mesmo estando em casa.
“Roubaram minha bolsa.”A bolsa está guardada no armário.
Quem convive com uma pessoa com Alzheimer provavelmente já viveu alguma situação parecida.
E a reação quase automática é corrigir:
“Mas sua mãe morreu há muitos anos.”
“Você já está em casa.”
“Ninguém roubou nada. Você mesma guardou.”
Só que, em algumas situações, insistir na realidade pode aumentar a angústia sem resolver o problema.
Alterações de memória, orientação e percepção podem fazer com que aquela experiência seja real para a pessoa naquele momento. Corrigi-la repetidamente pode significar fazê-la experimentar novamente uma perda, uma frustração ou a sensação de que ninguém acredita nela.
Isso não significa que devemos simplesmente “mentir para quem tem Alzheimer”.
Não existe uma resposta única para todas as situações.
Antes de corrigir, vale perguntar: o que existe por trás dessa fala?
“Quero ir para casa” pode expressar insegurança ou necessidade de sentir-se em um lugar familiar.
“Onde está minha mãe?” pode trazer saudade ou necessidade de proteção.
A acusação de que alguém roubou um objeto pode nascer da dificuldade de lembrar onde ele foi colocado.
Às vezes, em vez de responder “sua mãe já morreu”, podemos perguntar:
“Você está sentindo falta dela?”
Em vez de “já falei que você está em casa”:
“Você não está se sentindo bem aqui? Quer ficar um pouco comigo?”
Não é ignorar a realidade. É perceber que, naquele momento, o sentimento pode ser mais importante do que o fato.
E isso muda bastante a maneira de cuidar.
(Fontes: Organização Mundial da Saúde, iSupport – informações para cuidadores de pessoas com demência.)




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