Congresso Brasileiro de Alzheimer aponta novos caminhos para as demências
- Lina Menezes

- há 2 dias
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O campo das demências vive um momento de grandes mudanças. Novas possibilidades de diagnóstico e tratamento começam a surgir. Biomarcadores ganham espaço. Prevenção e estilo de vida são cada vez mais discutidos. Inteligência artificial e novas tecnologias entram definitivamente nessa conversa.
Foi nesse cenário que São Paulo recebeu, nos dias 28 e 29 de agosto, o XIII Congresso Brasileiro de Alzheimer e o XII Congresso Brasileiro de Neuropsiquiatria Geriátrica.
Realizados conjuntamente pela Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) e pela Associação Brasileira de Neuropsiquiatria Geriátrica (ABNPG), os congressos reuniram especialistas e profissionais de diferentes áreas para discutir avanços científicos, assistência e os muitos desafios que ainda cercam o Alzheimer e outras demências.
Um campo em transformação
Depois de décadas com poucas mudanças no tratamento das demências, vivemos um período diferente.
Entre os temas que fizeram parte das discussões estiveram biomarcadores, novas possibilidades de diagnóstico, terapias modificadoras da doença de Alzheimer, prevenção e estilo de vida, novas tecnologias, inteligência artificial, sono e demência e novas possibilidades terapêuticas.
A programação também abordou o manejo dos sintomas neuropsiquiátricos, outras demências, como demência com corpos de Lewy, demência associada à doença de Parkinson e demência frontotemporal, além de cuidados paliativos.
É muita coisa acontecendo ao mesmo tempo.
E isso traz esperança, mas também novas perguntas.
Como fazer os avanços científicos chegarem às pessoas? Como ampliar o diagnóstico adequado? Quem terá acesso às novas tecnologias e tratamentos? Como preparar profissionais e serviços para esse novo cenário?
A ciência avança. O cuidado continua no centro
Um dos aspectos mais importantes do congresso foi não restringir a discussão aos avanços biomédicos.
Abordagem multidisciplinar, cuidado centrado na pessoa, organização dos serviços e políticas públicas em demências também fizeram parte da programação.
E houve espaço especialmente dedicado a familiares e cuidadores.
Outro momento marcante foi a participação de Rogério Bech, que vive com Alzheimer. Seu depoimento levou para dentro de um congresso científico uma voz que precisa estar cada vez mais presente quando se discute demência: a voz de quem vive a doença.
Isso faz diferença.
Podemos falar de biomarcadores, medicamentos, inteligência artificial e tecnologias cada vez mais sofisticadas. Precisamos falar sobre tudo isso.
Mas nenhuma inovação elimina a necessidade de escuta, respeito à autonomia, apoio às famílias e cuidado humanizado.
Os próprios organizadores destacaram, na apresentação do congresso, que os avanços científicos precisam caminhar junto com os cuidados integrais, os aspectos éticos e a abordagem multidisciplinar.
A ciência muda. A essência do cuidado permanece humana.
A arte também ajuda a falar sobre demência
A programação abriu espaço ainda para o cinema.
Foram exibidos três curtas-metragens do diretor Alexandre Estevanato sobre demência, incluindo a pré-estreia nacional de “As Flores de Domingo”.
Pode parecer um detalhe diante de uma programação científica tão extensa. Não é.
Falar sobre Alzheimer e outras demências também significa ajudar a sociedade a compreender o que existe para além do diagnóstico.
A ciência informa. Histórias aproximam. E as duas coisas podem ajudar a combater preconceitos e mudar a forma como enxergamos quem vive com uma demência.
O desafio agora é fazer os avanços chegarem às pessoas
O congresso foi presidido pela Dra. Celene Queiroz Pinheiro de Oliveira, pela ABRAz, e pelo Dr. Pablo Merlo Medeiros, pela ABNPG.
O encontro terminou, mas muitas das discussões estão apenas começando.
O conhecimento sobre as demências avança rapidamente. Temos novas ferramentas diagnósticas, novas perspectivas terapêuticas e uma compreensão cada vez maior sobre fatores de risco e prevenção.
Ao mesmo tempo, o Brasil ainda precisa enfrentar questões muito concretas.
Diagnóstico no tempo adequado. Acesso ao atendimento. Serviços preparados. Profissionais capacitados. Apoio às famílias e aos cuidadores. Políticas públicas que saiam do papel.
Talvez esse seja um dos grandes desafios deste novo momento das demências.
Fazer com que aquilo que avança nos congressos, nos laboratórios e nos centros de pesquisa possa, de fato, chegar à vida das pessoas.


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